Reforço encarnado já tinha feito provas na Luz; faltou ao baile de finalistas para tentar a sorte por cá

Steven Vitória
Steven Vitória nasceu no Canadá, em 1987, filho de emigrantes açorianos, e sempre teve um sonho: jogar futebol em Portugal.
Foi isso mesmo que explicou em vários relatos quando representou a seleção portuguesa de sub-20 no mundial da categoria realizado, precisamente, no país em que nasceu. Em Portugal ficou graças ao FC Porto, que o trouxe para o país depois de uma primeira tentativa frustrada para representar o Benfica, o clube pelo qual assinou neste domingo.
Em vésperas de Steven representar Portugal no Campeonato do Mundo, a mãe Alice contava ao The Star: «Este miúdo costumava subir a um escadote e usar um elástico [dos que se usa para prender acessórios na motas] para fazer uma rede [na baliza] perfeita. Eu dizia-lhe que os amigos estavam a chamá-lo e que ele devia fazer uma pausa. Ele respondia: “Mãe, eu não quero ir.”»
Aos 16 anos, tentou o Benfica!
Na mesma reportagem, Steven Vitória explica que trabalhou muito para, naquela altura, ser jogador do FC Porto. «Não vou mentir, custa imenso, trabalhei imenso para estar onde estou.». O irmão mais velho, Jason, também dizia que o novo central do Benfica «dormia com uma bola de futebol» e tinha o sonho de jogar na liga portuguesa.
A primeira tentativa de Steven Vitória jogar por cá aconteceu aos 16 anos. Passou dois meses no Benfica. Não ficou. Dois anos depois, aos 18, a história foi diferente. Steven jogava como médio nos Woodbridge Strikers quando tentou a sorte do lado de cá do Atlântico. Para isso, teve de faltar ao baile de finalistas, um evento importante nos adolescentes que vivem numa cultura norte-americana.
Steven Vitória contou que vinha para fazer testes numa equipa de uma divisão menor, mas que depois acabou no FC Porto. Quando o viu, o treinador portista reparou na altura do luso-canadiano e perguntou-lhe se podia jogar a central. «Eu não ia dizer que não», contou ao repórter.
Assim, o Canadá ficou para lá e Vitória tornava-se defesa. Passou pelos juniores do FC Porto, mas depois foi sucessivamente emprestado: Tourizense, Olhanense e S. Covilhã foram os emblemas que representou.
Pelo meio, o tal Campeonato do Mundo de sub-20 numa geração que tinha Rui Patrício, Fábio Coentrão, Vítor Gomes, Pereirinha, Bruno Gama e uma dupla de centrais formada por Paulo Renato (Sporting) e João Pedro (FC Porto), este último companheiro de Steven Vitória neste ano no Estoril, mas agora com o luso-canadiano no papel principal.
«Durante 18 anos não se importaram comigo»
Mas é no Olhanense que começa a ganhar espaço. Na primeira época, faz 17 jogos na II Liga. Na época seguinte, assumiu-se como titular, com 19 partidas no campeonato e mais seis na Taça da Liga. Quando se mudou para a Covilhã, já ia com estatuto diferente e fez 24 partidas de campeonato.
A ligação ao FC Porto terminou em 2010/11, época em que se transferiu para o Estoril. Na Amoreira, fosse qual fosse o treinador, Vitória foi sempre um titular: 30 jogos na primeira época [Liga e Taça da Liga), 37 na segunda e, por fim, mais 30 na última.
Estreou-se na I Liga em 2012/13, destacou-se pelos golos apontados de penalty, mas também por fazer parte de um coletivo que ficou em quinto lugar. Quase sempre foi o capião do Estoril no relvado, já que João Coimbra jogou menos vezes.
Depois de Fernando Aguiar, tornou-se no mais recente luso-canadiano a assinar pelo Benfica. E quanto às opções em termos de seleção, eis o que ele disse em 2007: «Para ser sincero, estive no Canadá durante 18 anos. Joguei futebol durante um bom tempo, não foi? Nunca me perguntaram nada, ninguém quis saber e depois de ter chegado a Portugal, foi quando começaram a importar-se.»
Steven Vitória optou por jogar pelo sub-20 portugueses e não pelos canadianos, que marcaram presença nesse Mundial e o convidaram a representar a seleção americana.
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